Não é preciso ser-se ciclista, profissional ou mesmo amador, para perceber que o corpo sente uma grande diferenças e sensações quando se pedala sentado e se pedala de pé. Qualquer um de nós foi capaz de experimentar a diferença do esforço fisico quando sentados, colocamos todo o peso do corpo em cima do selim ou quando pedalamos de pé, e deixamos cair o peso em cima dos pedais e ainda activamos músculos extra para nos mantermos em equilíbrio.

Até certo ponto, podemos comparar a pedalada em pé, com a corrida, em que a cada nova passada impulsionamos toda a energia para os pés. A realidade, é que a técnica de pedalar em pé é energicamente bem menos económica, e deve ser usada apenas ocasionalmente e em momentos bem especifico, até porque a sua maior contrariedade, é a necessária de uma maior potencia do ciclista porque precisa vencer a também maior resistência ao meio, por exemplo a resistência do vento. A área frontal do corpo do ciclista é o parâmetro mais importante para caracterizar o resistencia aerodinâmico, como está extremamente bem documentado, por exemplo em “Aerodynamic drag in cycling: methods of assessment” de Pierre Debraux e colegas em 2011 na Sports Biomechanics. Assim, é facilmente perceptível, que pedalar sentado reduz significativamente a resistência (ou coeficiente de resistência – CX) e dessa forma, implica menos gastos energéticos – a energia necessária para ultrapassar a CX é menor.  Mas quanto menos?

Um estudo datado do ano de 2002 e conduzido por Millet e colegas, chegou a esses números. Eles submeteram um grupo de ciclistas profissionais de elite  a um teste que consistia, em pedalar sentado e em pé em rampa 5,3% de inclinação durante 6 minutos a 75% do VO2 máx. E, igualmente a  sprints de 30 segundos em pé e sentado no selim.

Como esperado a frequência cardíaca foi de 8 pontos a mais na técnica de  pedalada em pé quando comparada com a técnica de pedalada sentado. A ventilação também foi aumentada, embora não foram encontradas diferenças no VO2. A potência média e máxima foi também maior na técnica de pedalada em pé – 820 w, versus a técnica sentada, que foi menor em quase 200w, registando o valor médio de 650 w.

Por fim, verificou-se que existe pouca ou mesmo nenhuma vantagem de eficiência  na pedalada em pé em comparação com pedalar sentado, quando o peso do ciclista é acima do peso médio, uma vez que pelas equações da eficiência e pela economia do esforço, é bem mais produtivo ao ciclista pedalar sentado.

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