Muitos treinadores acreditam que não existe treino para cobrar as grandes penalidades e que a equipa não tem como se preparar para este tipo de decisão. Outros tecnicos têm outra opinião, e acreditam que se pode de facto “emular” o stress da grande penalidade ou pelo menos melhorar tecnicamente os futebolistas. Independetemente das opiniões dos tecnicos, a ciência tem uma resposta:

O Laboratório de Fisiologia do Comportamento do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, em São Paulo, estuda processos do controlo motor no desporto, que envolvem aspectos como percepção visual, treino, stress e fadiga.

– Os cobradores do penalti não se prepararam em geral. Evidente que há exceções. Mas, em geral, não têm uma estratégia muito bem definida de antemão. Sem ter esse preparo, a situação dofutebolista é uma situação, em geral, de stress, portanto, de confusão mental. Leva, inclusive, a imaginar que vai errar – acredita o professor da Universidade de São Paulo, Ronald Ranvaud.

Um dos alunos do professor Ranvaud, Nelson Myamoto, estudou em sua tese de mestrado a influência do stress em cobradores de pênalti. Os voluntários faziam o teste através de um computador, em dois ambientes diferentes: na sala de aula, em que o experimento era projetado numa tela e os alunos torciam contra e a favor, e no laboratório, em uma cabine acústica, sem barulho e interferência externa.

No experimento em laboratório, os atletas atingiam praticamente 100% de aproveitamento. Na situação de sala de aula, no meu experimento especificamente, em uma análise mais global, eles atingiam 80%. Se em uma situação de laboratório nós tivemos a influência do stress no desempenho motor dos nossos voluntários, imagine na situação real

Um erro encontrado frequentemente é em relação ao posicionamento do pé de apoio. Quando ele resolve colocar o pé de apoio perto da bola e chuta aplicando potência na bola, muitas vezes ele faz esse contato muito embaixo da bola e ela tende a subir 

A cobrança perfeita

Existe um pênalti que não dê hipoteses ao guarda redes? Depois de pesquisar e analisar muitas cobranças, o professor Ranvaud  garante que sim:

“Se você divide o gol em quatro colunas iguais, a metade que fica no meio do gol é do goleiro. Como o Pelé dizia: ‘não chuta ali’. Chuta um quarto para fora à direita ou à esquerda. Além disso, não chuta rasteiro. Chuta nos dois terços superiores do gol. A uma velocidade de 80, 85km por hora, não há como o goleiro defender.”

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