Recentes estudos na área do andebol, descobriram que não existe necessariamente uma correlação direta e precisa entre treino e precisão do remate. No entanto, jogadores profissionais são treinados para rematar a bola a uma velocidade alta, cerca de 85% da velocidade máxima – velocidade essa, que durante os jogos, naturalmente baixa quando sujeita à oposição de defensores e inclusive dos guarda-redes. Usualmente a velocidade da bola varia entre 18.2 m/s e 23.3 m/s no remate parado em apoio, e entre 20.6 m/s e 25.0 m/s no remate em apoio com corrida preparatória.

A velocidade da bola é fortemente influenciada pela pélvis, tronco e a rotação do ombro. Mais precisamente, a velocidade da bola é influenciada pela sequência dos seguintes movimentos:  rotação da pélvis, seguido pela rotação do tronco, a flexão do tronco, a extensão do cotovelo, a rotação interna do ombro, pronação do antebraço e flexão do ombro. Quanto maior a rotação do tronco sobre a perna que está no chão, mais veloz é o remate. O remate em suspensão é assim representativo de uma acção eminentemente explosiva afim de os atletas saltarem mais alto e imprimirem á bola a máxima velocidade na direcção da baliza contrária. A altura do salto é igualmente importante para chegar a uma posição vertical alta para jogar sobre o bloco dos jogadores defensivos rivais e ter mais tempo para reagir aos movimentos do guarda-redes.

A eficácia do remate depende de uma série de condições, a mais importante é a escolha do momento e da direcção do remate, precisos e inesperados para o adversário. É muito importante a rapidez com que se envia a bola à baliza, que é determinada pela força que é impelida e pela sua massa.

Alguns aspectos importantes na realização do remate em suspensão:

  • Corrida ritmada dos três passos tem como objectivo aumentar a velocidade de deslocamento horizontal, para a transformar em deslocamento vertical. Por outro lado prepara a chamada para fazer subir o atacante o mais alto possível.
  • A chamada é feita pelo calcanhar e através do desenrolamento completo do pé e da extensão total da perna de impulsão.
  • A impulsão é feita estendendo-se vigorosamente a perna de impulsão em combinação com uma grande elevação do joelho da perna livre.
  • A elevação da perna livre também gera uma força vertical ascendente que juntamente com a força produzida pelos braços é transmitida através da perna de impulsão ao solo.
  • A outra mão, mão passiva, isto é, aquela que não participa no remate e o respectivo antebraço, flecte na articulação do cotovelo, para frente e para cima até ao nível do peito assegurando o equilíbrio e servindo também como centro do remate.
  • O pulso no seu movimento transmite a velocidade inicial à bola. Esta velocidade inicial do membro (parte do corpo) que efectua o remate, assim como da correlação entre a sua massa e do grau que efectua o remate e o corpo do atleta, vai influenciar a velocidade do voo da bola. Assim, para se obterem valores elevados da velocidade de saída da bola, a energia cinética do centro de massa do corpo no último apoio deve ser elevada (a transferência dessa energia através dos diferentes segmentos envolvidos na execução, deve ser o mais fluida possível evitando a sua dissipação).
  • Os dedos prolongam a sua acção para maior segurança na precisão do remate, procurando atingir os locais de difícil defesa pelo guarda-redes. Por outro lado o papel dos dedos também pode ser determinante, variando essa importância em função das suas dimensões. Uma mão com dimensões reduzidas fica limitada a uma actividade propulsara pouco significativa. A capacidade de preensão da bola deverá desempenhar um papel importante, tanto no seu controlo como na capacidade de transmitir à bola toda a aceleração proveniente da cadeia cinética própria do movimento do remate em suspensão.

Ref: João Azevedo, 2008, “Estudo da influência do tamanho da bola na velocidade e na técnica de remate em jovens praticantes de Andebol”, tese da faculdade de desporto da universidade do Porto; Herbert Wagner e colegas, 2014, Desempenho individual e de equipa de andebol, Journal of Sports Science and Medicine (2014) 13, 808-816

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