Futebol e Fadiga – Qual o custo físico de um jogo de 90 minutos

O desgaste físico dos atletas como um ponto fundamental e crucial para a classificação final. Muitas vezes, chega-se inclusive a apontar o cansaço para exibições menos conseguidas ou mesmo para justificar a derrota.

Mas, qual é realmente o desgaste fisiológico provocado por um jogo de futebol de 90 minutos? E, comparado com o Rugby – Qual dos dois é mais desgastante

Futebol vs. Rugby

Abaixo, podemos observar as diferenças entre um jogo de Futebol e um  jogo de Rugby.

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Ao contrario do que podia ser expectável, o futebol é fisicamente mais exige que o Rugby; sendo logico que não estamos aqui a contabilizar os embates, quedas ao chão, etc, bem mais frequentes no Rugby e que não só podem mas que são de facto mais agressivas ao corpo humano.

Talvez essa seja uma das razões do maior desgaste energético no rugby quando comparado com o futebol. Sendo que a recuperação após esforço é mais rápida no futebol do que no Rugby!

Um dos principais pontos de diferença centra-se nas distâncias percorridas, que diferem imensamente entre os futebolistas e os praticantes de Rugby; e dentro do próprio rugby, existem diferenças, e em alguns pontos significativas, entre os valores obtidos. A diferença entre 10-15 km percorridos para os 7-8 dos atletas de Rugby é de facto um hiato muito significativo.

Um das principais questões no desgaste dos jogadores é o sprint – corrida rápida (máxima) e a sua recuperação. Por exemplo, um futebolista em média faz 100 sprints por jogo, cada um com uma duração de algo entre 2 e 5 segundos. O tempo de recuperação é mínimo – uma proporção de 1: 2 – Trabalho-Descanso.

O que significa que o requisito mais importante é preparar os jogadores para a recuperação de sprints repetidos. A velocidade, a aceleração e capacidade de mudar de direção – todos prejudicados quando um jogador está “cansado” – são a diferença entre bons e grandes jogadores, e a diferença entre o êxito ou o fracasso.

Futebol & Sprints

O gráfico abaixo advém do estudo Krustrup de 2006, onde jogadores  de elite foram convidados a realizar cinco sprints de 30 metros com uma recuperação de 30 segundos, antes do jogo, na primeira parte e na segunda parte. Tendo um tempo de recuperação de 1:7 – Esforço: Recuperação. Os 30 metros em média eram percorridos em 4,30 segundos.

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Como esperado, o esforço acumulado de sprints repetidos tem uma diminuição na capacidade do desempenho, um efeito mais devastador conforme se vai avançando na partida. Na prática, e continuando a fixar-nos na distância de 30 metros, no fim do jogo, o atleta é 8% mais lento, o que significa uma distância concreta de 2 metros de diferença. Num jogo de futebol, isto pode ser a diferença entre a vitória e a derrota; e é também por isto que os jogos se tornam mais “abertos” ao aproximarem-se do sem fim, dado que a capacidade diminuir. Mas existe um outro factor, e muito mais relevante, as diferentes taxas de fadiga entre atletas de alta competição.

Um estudo conduzido por Mohr sobre a liga italiana e liga dos campeões (jogadores de alto nível) e sobre as ligas menores  como a Dinamarca ou divisões secundarias (jogadores médios) chegou aos seguintes resultados:

  • Os Jogadores de alto nível correm menos tempo que os apenas  jogadores médios durante uma partida – 16 vs 19 minutos
  • Jogadores de alto nível gastam no entanto mais tempo em ritmo médio em execução (12 km/h até 15 km/h), alto ritmo de corrida e corrida. Eles também correm mais para trás – recuar no terreno.
  • O número de sprints  também é maior em jogadores de alto nível – 108 vs 75
  • Consequentemente, os jogadores de alto nível cobrem uma distância maior em alta velocidade (2,4 km vs 1,9 km, 28% superior), correndo (650m vs 410m, 43% a mais) e a 5% maior de distância total percorrida por jogo

Assim as conclusões são claras, e um dos principais factores porque alguns futebolistas são estrelas nas grandes competições e outros não, tendo à partida talento com a “bola nos pés” semelhante. Pegado em um jogador que está acostumado a correr apenas 75 sprints num total de 2km e forçá-los a fazer 100 sprints por 2,5 é uma adaptação dificel que nem todos os atletas conseguem dominar.

Após um jogo de 90 minutos os jogadores ficam perto da depleção de glicogênico (abaixo significado de glicogênico) muscular máxima, ou seja bem perto do esgotamento de energias; curiosamente bem perto dos valores encontrados pelo maratonistas. Por último, e por curiosidade, a temperatura dos futebolistas eleva-se por norma perto dos 40 graus, ficando bem perto do limite para o qual desempenho é afectado pela temperatura corporal.

Significado de Glicogênico: é uma das formas de armazenamento de energia para algumas espécies animais como o ser humano; sendo o resultado da síntese da ligação de moléculas de glicose, gerando melhor estabilidade e gerando melhor forma para seu armazenamento. Para mais informações visite este artigo, apesar de mais voltado para a musculação.

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