“O futebol é demasiado arte para ser Ciência e demasiado Ciência para ser só arte”. A frase de Garganta é celebre, bem como a crença que “o desporto rei” nunca foi um uma modalidade fácil para os matemáticos: é cheio de golpes de sorte, fatos aleatórios e sutilezas que não cabem em fórmulas exatas. Mas a ciência apareceu e veio para ficar. Também no futebol. E estamos a entrar numa verdadeira revolução estatística que promete mudar o jogo num curto período de tempo.  Apesar das ainda muitas interrogações, já há diversas respostas e já é possível apontar qual o caminho da vitória no futebol e que erros podem e devem ser banidos dos clubes de futebol e das equipas técnicas.

Treinadores: Decisões baseadas na “mentira”
Pouca realidade e muito enredo nas decisões dos treinadores durante os jogos

Tomar decisões, boas decisões, durante as partidas de futebol, foi e será sempre uma das mais marcantes tarefas dos treinadores e equipas técnicas. Mudar aquele jogador que não está tão bem, ou alterar o sistema tático no momento exato, entre milhares de outras alterações, é sempre decisivo para o resultado final do jogo. E, o sucesso das decisões está sempre ligada à aptidão dos técnicos identificarem os pontos fortes da própria equipa, que possam ainda ser desenvolvidos no decorrer da partida, e as suas fraquezas, procurando a sua melhoria. O mesmo processo acontece para o adversário, em que o analisar e identificar os mesmos dados, é a melhor forma de criar uma estratégia para explorar as suas deficiências.

Acontece que se diariamente, as equipas técnicas têm ao ser dispor diversas ferramentas de análises, muitas delas digitais, nas diferentes áreas que compõem o jogo, como a fisiologia, a psicologia, a análise da performance, a biomecânica e a estatística, para citar alguns exemplos.  Durante os jogos essas informações não estão disponíveis, seja por questões técnicas, quer por desconsideração dos próprios treinadores, que preferem contar unicamente com a sua perceção da realidade, e com as informações que conseguem recolher a “olho nu”.

Este tipo de observação tão crua, normalmente é imprecisa e insuficiente na análise de jogo, e é limitada e influenciada por avaliações subjetivas, mesmo nos treinadores mais experiente. Especialmente por estes últimos.

A maior experiência é um fator que deteriora a recolha de informações com qualidade, e normalmente, os treinadores mais experientes produziram mais falsas respostas do que os “rookies”. Para além disso, mostraram-se mais confiantes, mesmo quando errados nas suas apreciações (Garganta Sousa “The importance of set-plays in socccer”)

Os treinadores de futebol, em diversos estudos incluindo o acima mencionado, quando instados a descrever os acontecimentos ocorridos em 45 minutos de uma partida de futebol obtiveram valores inferiores a 45% de respostas certas.

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