O ex-internacional Inglês deu uma palestra aos sub.16 da seleção inglesa, leia as suas palavras:

Quando me pediram para vir aqui, eu pensei comigo mesmo:

O que é que eu posso dizer sobre jogar futebol? O que é que significa? O que é que significou para mim jogar pela Inglaterra? Lembrei-me de vos falar, de um jogo contra o Brasil no Mundial de 2002. Contra o Brasil do Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafú, todos aqueles jogadores. E eu estou ali, começa a tocar o hino nacional, olho na horizontal e vejo aqueles jogadores, olho para as bancadas e vejo a minha família, e de repente…aquilo tudo atingiu-me!

Fiquei emocionado, quase comecei a chorar… Era tudo sobre jogar pela Inglaterra e escutar o hino nacional… Para ser justo, perdemos o jogo e eu nunca estive realmente bem naquela partida! Lembro-me de acabar o jogo e não conseguir sentir nada…Era como se estivesse atordoado.

Um conselho que vos dou, é que nunca deixem que a emoção vos tome!

É um dos melhores conselhos que vos posso dar. Era um grande momento, um grande momento na minha vida, a minha família estava toda lá…Todos a gritarem nas bancadas. Não se deixem afectar por isso! É um outro jogo.

Vocês têm de entrar lá dentro e produzir.

Se vocês ficarem emocionais, não vão poder jogar o vosso melhor futebol. Se eu me tornar num treinador, que é algo que quero fazer um dia, não vou querer defesas emocionais! Porque tu não pensas direito quando estás descontrolado. Tu tens de estar calmo, controlado, ser agressivo, mas com uma agressividade controlada.Vocês vão para um torneio e o que vocês têm de pensar é:

Amigos, a diversão é só na viagem de volta!

No caminho para o torneio e enquanto estiverem lá, vocês têm de pensar em tudo. Como é que eu vou meter as minhas mãos naquele troféu? Como é que eu me vou preparar? O que é que eu vou fazer?Como é que eu vou dormir, quando é que eu vou dormir?

A preparação é a chave do sucesso.

Eu fui convocado para o Mundial de 1998, parece que foi há milhões de anos… Fui e não joguei. Fiquei desapontado, mas parecia uma esponja! Quando estive naquele Mundial, via tudo o que os meus colegas mais experientes faziam. Olhava para o Shearer. Quando é que ele descansa?! O que é ele come? Será que ele come algo diferente do resto?! Em que quantidade? O que é que ele come ao pequeno-almoço?! Ao almoço? Ao jantar? Antes dos jogos?O que é que ele faz?!

O Tony Adams…

Como é que ele se equipa no balneário? Como é que ele se comporta?! Como é que ele se prepara?… Olhava para todas estas coisas, mas vocês têm sorte, porque estão fazendo isso agora.  Eu não fui para torneios com a selecção, quando tinha a vossa idade.

Quando estás num balneário, tu tens de identificar quem é o homem a seguir!

Quem é o líder e porque é que ele faz a diferença.

Têm se se perguntar: quem é aquele fulano? Procurem esse colega e perguntem-se: o que é que ele faz? Olhem para ele, para a forma como se treina, e digam: “Eu vou treinar-me melhor do que ele. Todos os dias! Quantas voltas ele deu ao campo? Eu vou correr mais do que ele… Se ele está no ginásio, tu tens de estar no ginásio! Quando ele se for embora, tens de estar no ginásio outra vez.

Quando fui para aquele Mundial, pensei: “Eu quero vir para aqui…e jogar! Jogar num Mundial e fazer mesmo parte da equipa. Quero ser o capitão da minha selecção um dia. Tem tudo a haver com sacrifício e melhorar todos os dias.

Dou-vos o exemplo do Cristiano Ronaldo.

Ele era apenas um jogador talentoso quando chegou ao Manchester United. Vocês pensam que ele era o futebolista que é hoje em dia?! Nem pensar! Ele trabalhou…

Ele tinha um remate poderoso, mas completamente descontrolado. As bolas iam para tudo o que era lado…Ele ficava embaraçado. Ele costumava pegar num saco de bolas, atravessar o campo de cabeça baixa e envergonhado. Escondia-se num sítio sozinho, chutando bolas… E eu perguntava: “Ronnie onde é que vais?! O que é que se passa contigo?”. E ele respondia:”Vou só até ali…”.

Ele estava a treinar o seu remate…

Após alguns meses:”Onde é que está o Ronnie outra vez?!”. Lá estava ele a treinar sozinho…Rematando… Depois, metia pesos nas pernas e fazia truques. E um dia, subitamente, ele começou a maravilhar toda a gente! Não foi subitamente…Ele trabalhou muito e eu vi isso com os meus olhos. Ele chegou a um ponto, em que estar impressionando com o Manchester United, não era suficiente.

Ele queria ser o melhor!

Ele já não quer fazer truques. Ele quer eficiência. Assistências e golos. Mais assistências e mais golos. Ser eficaz! Ter objectivos no futebol. Do primeiro, ao último dia minha carreira, eu tive objectivos.

Foi o que eu fiz toda a minha vida como futebolista! Ter objectivos para conquistar...

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