Os desportos motorizados continuam a ser no imaginário da maioria dos adeptos, aquele que necessitam de mais encargos na formação juvenil. Porém, esta é uma noção cada vez mais errada, dado que inúmeras outras modalidades abrangem investimentos semelhantes e por vezes até superiores. O ténis é, surpreendentemente, um desses desportos. Talvez assim se compreenda, como diversos estudos o sugerem, que os países tidos como “potências” nesta modalidade se destacam de duas formas distintas: ou pelo seu rendimento per capita ou pelo seu desenvolvimento social e económico. Dai que países como a França, os Estados Unidos ou Espanha tenham vários dos seus atletas no Top 100 mundial e países como Portugal ou Brasil, apenas consigam esporadicamente lugares de destaque, como foi a grande exceção Gustavo Kuerten, antigo número um mundial ou João Sousa, que no último ano ocupou persistentemente um lugar nos cinquenta melhores. Outros fatores, ligados com o próprio desenvolvimento do ténis e da sua tradição nesse país também têm influência, mas curiosamente bem menores. O desenvolvimento depende essencialmente da capacidade económica dos encarregados do atleta enquanto este é menor e da capacidade das entidades desportivas ou que tem a cargo a si o desporto juvenil. O caso das universidades nos Estados Unidos da América é paradigmático, assim como o apoio prestado pelo sector empresarial na Espanha. Estes dados levam-nos então a perguntar quanto custa formar um tenista até à sua maioridade e até poder disputar competições profissionais?
A resposta como é compreensível não é una. Dependendo muito de região e do nível a que se eleva o treino, mas é possível partir de bases mínimas falamos de valores entre os €90000 a €100000 para todo o período de formação, ou seja, aproximadamente 10 anos – dos 7 aos 17 anos. Referindo ainda, que a estes valores não foram somados o custo de todo o material necessário para a prática do ténis. E, se olhando para os valores eles parecem elevados, temos que reafirmar que se trata apenas dos custos mínimos, e que o “investimento” pode facilmente duplicar ou ir inclusive mais além. Olhemos algumas das razões para valores tão elevados.

O custo de formação de um tenista varia entre os €90000 a €100000 – valores mínimos

Um atleta dos 7 aos 9 anos de idade necessita de duas ou três aulas semanais em grupos de 4 atletas e pelo menos uma aula semanal individual, o que acarreta um custo mensal de €200 a €350, dependendo da região. Obviamente que dependendo da qualidade do treinador escolhido esse valor, mesmo nessas idades, pode facilmente disparar três ou quatro vezes os valores apresentados acima.
Dos 10 aos 12 anos, um atleta necessita de pelo menos quatro a cinco treinos semanais em grupo e uma ou duas aulas particulares. Acrescenta-se ainda os custos dos primeiros torneios locais e alguns torneios regionais. Isto implicará um custo mensal na ordem dos €600 a €900.
Somando mais um ano, aos 13 anos, o atleta necessita de pelo menos mais dois treinos de fitness individuais o que acrescenta entre €50 a €150 mensais ao valor anterior.
Aos 15 anos, começa a definir-se o futuro do atleta, e aqueles que mostram mais qualidade, passam a competir em torneios nacionais, o que acrescenta anualmente pelo menos mais €3000, mas podendo ir a valores bem superiores. Por essa mesma ordem, alguns torneios internacionais também aparecem no horizonte por volta dessas idades, o que aumenta os custos em mais alguns milhares de euros. Acrescenta-se ainda, que a partir dos 16 ou 17 anos, os atletas que pretendam ser profissionais, necessitam de um treinador a tempo inteiro, o que dispara ainda mais os valores necessários. Um bom treinador custa no mínimo €5000.

Olhando para estes valores acima, existe uma outra pergunta, economicamente vale a pena o investimento? Posta desta forma, a resposta não é muito animadora. Apenas os atletas do Top 100 mundial conseguem ganhar dinheiro com este desporto e apenas os 60 melhores atletas conseguem retirar dividendos suficientes para uma vida confortável, sendo que os verdadeiros ganhos vêm dos patrocinadores e isso apenas alguns, muito poucos, o alcançam.
No entanto, não podemos reduzir o ténis ou o desporto em geral apenas do ponto de vista financeiro e económico, muitos outros fatores têm de ser levados em consideração para olhar este deporto como profissão. Destes valores acima apresentados, fica-nos igualmente a ideia que é preciso repensar a forma como se pensa o ténis nos países de língua portuguesa para que possamos num futuro próximo ter mais que apenas exceções no circuito profissional.

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